Contas públicas continuam positivas, mas saldo cai mais de dois mil milhões de euros

Contas públicas continuam positivas, mas saldo cai mais de dois mil milhões de euros

O aumento da despesa, sobretudo com o Serviço Nacional de Saúde, pensões, salários e investimento, explica grande parte da redução.

Filipe Alexandre Gonçalves - RTP / Adicionar como fonte informativa
Markus Spiske - Unsplash

As contas das Administrações Públicas mantiveram-se positivas nos primeiros sete meses deste ano, mas com uma margem muito menor do que há um ano.

Até julho, o saldo global foi de 281,7 milhões de euros, contra os 2.321,8 milhões registados no mesmo período de 2025.

Os dados constam da Síntese da Execução Orçamental de julho. A principal razão para a redução do saldo está no ritmo diferente de crescimento da receita e da despesa.

Enquanto a receita aumentou 7,4%, a despesa cresceu 10,6%. No total, as Administrações Públicas registaram receitas de cerca de 76,5 mil milhões de euros e despesas de 76,3 mil milhões até julho.

Um dos fatores que mais pesou nas contas foi o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

As entidades do SNS efetuaram, até julho, 1.426,4 milhões de euros em pagamentos de dívidas vencidas, na sequência dos reforços de capital concedidos para regularizar esses encargos. No mesmo período de 2025, estes pagamentos tinham sido de apenas 166,7 milhões de euros.

Se estes pagamentos do SNS forem retirados das contas, o saldo das Administrações Públicas seria bastante mais elevado: 1.708,1 milhões de euros positivos. Ainda assim, seria inferior ao registado um ano antes em 780,4 milhões de euros.

Receita aumenta, mas não acompanha a despesa
A receita pública cresceu em várias áreas. A receita fiscal aumentou 4,2%, enquanto as contribuições para a Segurança Social cresceram 6,7%. Já a receita não fiscal e não contributiva aumentou 18,7%, segundo a Síntese da Execução Orçamental, referente ao mês de julho.

Do lado da despesa, também houve aumentos significativos. As despesas com pessoal cresceram 6,2%, refletindo, entre outros fatores, as atualizações salariais dos trabalhadores da Administração Pública e alterações nas carreiras da saúde.

A despesa com bens e serviços também aumentou, com destaque para os encargos relacionados com o SNS. No conjunto das Administrações Públicas, a despesa efetiva cresceu 10,6% até julho.

Investimento cresce 40%
Um dos maiores aumentos verificou-se no investimento público. A despesa de investimento cresceu 40,4% até julho.

O aumento está associado, entre outros fatores, a projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, ao alojamento estudantil, à inovação empresarial e à aquisição de material circulante ferroviário para a CP.

Também houve mais investimento em habitação e reabilitação de edifícios por parte da Administração Local.

Segurança Social e autarquias melhoram saldo
Apesar do agravamento das contas da Administração Central, outras áreas registaram uma evolução positiva.

A Segurança Social passou de um saldo positivo de 3.214,9 milhões de euros em 2025 para 4.415,8 milhões este ano. A Administração Local também melhorou o resultado, passando de 743,5 para 941,5 milhões de euros.

Também a Administração Regional apresentou uma melhoria significativa. Até julho, registou um saldo positivo de 6,2 milhões de euros, quando no mesmo período de 2025 tinha apresentado um saldo negativo de 55,7 milhões.

Na Madeira, o saldo foi positivo em 41,5 milhões de euros, enquanto nos Açores se manteve negativo, em 35 milhões de euros.

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